Pesquisa mapeia regiões com maior mortalidade por doenças associadas à COVID-19, escassez de leitos de UTI e ventiladores pulmonares

Foram analisadas doenças respiratórias, neoplasias, cardiopatias, hipertensão e diabetes

Via Ascom UFPE

Identificar as regiões de saúde do Brasil com maior mortalidade – especificamente causada por doenças respiratórias, neoplasias, cardiopatias, hipertensão e diabetes – e com escassez de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e ventiladores pulmonares foi o objetivo da pesquisa realizada pelo professor Rafael da Silveira Moreira, da Faculdade de Medicina do Recife, área de Medicina Social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). As áreas mais afetadas estão nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul.

Moreira realizou um estudo ecológico transversal usando como unidades de análise as 450 Regiões de Saúde no Brasil, com base em dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus). Foram analisados dois blocos de variáveis: o bloco das variáveis de mortalidade e o bloco das variáveis de cobertura assistencial. Foram calculadas as taxas por 100 mil habitantes de mortalidade específica para as doenças citadas e o número de leitos de UTI (total, privados e do SUS) e de ventiladores do SUS.

Os mapas detalhados sobre as regiões podem ser consultados no artigo “Covid-19: unidades de terapia intensiva, ventiladores mecânicos e perfis latentes de mortalidade associados à letalidade no Brasil”, publicado na revista Cadernos de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O paper explica ainda que existem critérios de prioridade na ocupação dos leitos de UTI, estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina, mas que eles não foram pensados para tempos de pandemia.

“Na pandemia da Covid-19, o conhecimento do arsenal médico-assistivo no Brasil é fundamental para o uso racional dos leitos de UTI e ventiladores pulmonares. Associado às regiões com maior probabilidade de demanda, determinada pelo perfil de mortalidade por causas que aumentam a letalidade do vírus, o que observamos é uma situação preocupante no tocante à resposta dos serviços de saúde”, afirma o docente, que também é pesquisador no Instituto Aggeu Magalhães/Fiocruz.

Para Moreira, o estudo indica onde o poder sanitário público deve atuar no aumento da cobertura assistencial, com estratégias de racionamento desses equipamentos assistivos e critérios transparentes e justos na sua alocação. “A análise espacial das duas dimensões estudadas pode ser útil na tomada de decisões dos gestores em saúde pública, em uma ação coordenada pela economia de escala e equidade distributiva”, explica o docente do Centro de Ciências Médicas (CCM) da UFPE.

PREVENÇÃO – O artigo destaca ainda a importância do distanciamento social. “As medidas de prevenção adotadas parecem ser ainda, mesmo depois de a humanidade ter experimentado situações semelhantes às de pandemia, as principais armas de combate. Chama a atenção, mesmo após avanços tecnológicos e científicos, ainda sermos levados a adotar as medidas básicas de higiene, quarentena, isolamento e distanciamento social historicamente recomendadas em epidemias do passado”, ressalta o professor.

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