Você já parou para pensar que existem inúmeras maneiras de reaproveitamento de diferentes materiais presentes na Natureza? Pois é. Até mesmo camarões podem ser melhor aproveitados e produzirem muito mais que um delicioso bobó. Coordenado pelo Prof. Ranilson de Souza – coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas da UFPE – o projeto “Tecnologias para Aproveitamento Integral dos Camarões Marinhos Submetidos a Diferentes Estratégias de Cultivo”, tem como objetivo geral “integrar em Redes, pesquisadores e empresa privada com o intuito de avaliar a uso do resíduo do processamento do camarão de diferentes estratégias de cultivo”.

O processo de desenvolvimento e aplicação do projeto é o de coletar e separar resíduos do local de processamento de pescados, organizar e trabalhar acerca dos materiais coletados de acordo com os objetivos predefinidos e, em seguida, destinar os resultados finais às novas aplicações.

Instalações laboratoriais.

Dentre os resultados estão: produção de ração para animais, a partir da obtenção de hidrolisado protéico, que é ingrediente para rações de animais aquáticos e terrestres; produtos de uso geral: cola especial à base de gelatina de peixe que pode ser utilizada em diferentes aplicações, que vão desde a fixação de pastilhas de vidro em cerâmica até colagem de ossos humanos, além de outros materiais biológicos variados que também são separados dos resíduos e podem ser aproveitados após o procedimento; Criação de novas instalações laboratoriais, como o Laboratório de Enzimologia Prof. Luiz Accioly, que é utilizado não só pelos integrantes do projeto, mas por todo o corpo discente da UFPE, proporcionando interação multidisciplinar e contribuindo para o desenvolvimento de toda a instituição.

Cola especial.
Materiais biológicos em geral.

 

Em relação aos impactos sociais e ambientais, o projeto acumula um aproveitamento de resíduos descartados na natureza que representam entre 50% e 70% do pescado, além de inspirar a criação de outros subprojetos através do conhecimento que surge a partir do desenvolvimento das pesquisas. Também promove a propagação de uma nova cultura de cultivo, baseado no princípio de total aproveitamento do pescado e o desenvolvimento de métodos simples e de baixo custo com o intuito de promover acessibilidade ao cultivo de pescados, bem como o desenvolvimento de recursos humanos nessa área de conhecimento. Para o Prof. Ranilson, o maior e melhor resultado do projeto é a estrutura montada e os estudos realizados, que tem proporcionado a formação de granduandos, mestrandos e doutorandos.

Prof. Ranilson exibe mural contendo fotos de alunos que participaram do projeto.

Derivados do projeto principal existem dois subprojetos: o CAMOLBIOAT (UFPE), cujo título é “Produção de moléculas bioativas do resíduo de processamento de camarões marinhos comerciais e suas potenciais aplicações biomédicas e biotecnológicas”, e o BIOTECAM (UNIFESP), intitulado “Transcriptoma – estudos enzimáticos e análise estrutural de glicosaminoglicanos sulfatados de camarões marinhos”.

O projeto tem financiamento da Financiadora de Estudos e Projeto (Finep) e é apoiado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UFPE (Fade-UFPE). Na Fundação, o projeto conta com o acompanhamento administrativo e financeiro dos colaboradores Mayza Oliveira.