Projeto da UFPE em parceria com a Fade desenvolve nanosensores para detectar poluição nos rios

Os Departamentos de Química Fundamental e Engenharia Civil da Universidade Federal de Pernambuco estão desenvolvendo um projeto na área de nanotecnologia molecular, com a intenção de produzir nanosensores para detectarem micropoluentes na água. Com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Federal de Pernambuco (Fade – UFPE), esse projeto utiliza fundos do Programa CT-Hidro da Finep, que financia pesquisas na área de recursos hídricos.

O projeto tem como objetivo monitorar a qualidade da água e detectar micropoluentes nos rios Capibaribe e Ipojuca, na região de Caruaru e Toritama. De acordo com o Coordenador da primeira etapa do projeto, Professor Dr. Petrus Santa Cruz, primeiramente se pretendeu estabelecer um sistema de reconhecimento do esgoto doméstico não tratado que chega aos rios. “Utilizaremos inicialmente a molécula de cafeína apenas como um indicador para rastreamento do esgoto doméstico, pois o café é largamente utilizado na maioria das residências. A molécula detectada no rio indica a chegada de esgoto sem tratamento adequado”, explicou o Professor.

Para realizar essa identificação, o projeto utiliza processos tecnológicos inovadores baseados na printônica – impressão de dispositivos com materiais nanoestruturados. Nas próximas etapas, o grupo de pesquisa utilizará a bioinspiração para desenvolver novas tecnologias, como esclarece Dr. Petrus, que também coordena o Biotério de Espécies Nanoestruturadas (BEN) da UFPE. “A natureza levou 3,8 bilhões de anos evoluindo e podemos desenvolver mecanismos tecnológicos inspirados nela, reproduzindo-os através da printônica molecular”, frisou o Professor.

A produção desse tipo de dispositivo só é possível graças a uma impressora chamada DMP – Dimatix Material Printer – que foi importada pela Fade com recursos do projeto. “Esta impressora, produzida no Japão, é a mais avançada para a nova área da printônica, e a Fade conseguiu importá-la em torno de um mês. Os dispositivos são produzidos utilizando-se tintas inteligentes desenvolvidas em nosso laboratório, algumas com marcadores com propriedades luminescentes, que no presente caso vão indicar a presença ou não da cafeína”, ressaltou o Professor Dr. Petrus.

Os pesquisadores estão na primeira etapa do projeto que consiste no estudo da interação da molécula de cafeína com nanotubos de carbono, nanoestruturas utilizadas nas tintas funcionais. “Estamos imprimindo esses nanotubos em compósitos poliméricos, utilizados como parte ativa para detecção dessas moléculas no meio ambiente”, informou o Professor Petrus.

Além de formar e capacitar recursos humanos na área de nanotecnologia molecular, bioinspiração e printônica, os Departamentos envolvidos no projeto pretendem chegar a um produto final. “Queremos chegar a um produto patenteável que atenda aos objetivos do CT-Hidro. Trabalhamos com a estratégia de integração teoria-simulação-experimento-prototipagem. Dessa forma, os experimentos realizados no Laboratório de NanodispositivosFotônicos – Land-Foton resultarão em protótipos elaborados na Ponto Quântico Nanodispositivos – Hub de inovação do grupo, que fica no Espaço Inovação da UFPE. Numa terceira etapa, o Biotério de Espécies Nanoestruturadas será utilizado nos testes com o objetivo de monitorar a qualidade da água potável”, explicou o Professor. Os testes em ambientes naturais serão coordenados pelas professoras Sávia Gavazza e Maria de Lourdes Florêncio, ambas do Departamento de Engenharia Civil da UFPE.

BENEFÍCIOS SOCIAIS – O principal objetivo das pesquisas envolvendo nanotecnologias no Departamento de Química Fundamental são estudos na área de saúde e monitoramento ambiental. De acordo com o Professor Petrus, as pesquisas são realizadas para trazer benefícios sociais, pois o monitoramento das águas é algo estratégico para a humanidade. “A água deve ser considerada um item de segurança nacional em qualquer país, sendo de extrema importância o desenvolvimento de dispositivos para monitoramento e detecção rápida de contaminantes, em particular pesticidas e rejeitos industriais. Queremos utilizar as nanotecnologias para melhorar a qualidade de vida e preservar o meio ambiente”, frisou o Professor.

Dessa forma, a Fade em parceria com a UFPE trabalha em prol da sociedade, pois através desse tipo de pesquisa é possível promover benefícios para a saúde da população.

Orgy