O Imaginário leva design, inclusão social e desenvolvimento sustentável para diversas comunidades do interior de Pernambuco

Iniciado no ano 2000, com a instalação do Centro Cultural Benfica, O Imaginário é um dos projetos mais antigos em que a Fade-UFPE atua como parceira no gerenciamento. Nascido de uma iniciativa da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Pernambuco, o Imaginário tem estreitado laços entre a academia e a sociedade ao longo desses 14 anos.

O projeto é um laboratório do departamento de Design da UFPE, que trabalha baseado no tripé ensino, pesquisa e extensão. Atuando em comunidades do interior, sua proposta é assegurar o artesanato como meio de vida sustentável, através de ações que respeitem os valores culturais de suas comunidades produtoras. As ações do Imaginário ocorrem em comunidades de baixo IDH – Índice de Desenvolvimento Humano e que possuem alguma tradição de produto artesanal.

O projeto já desenvolveu atividades em comunidades como Conceição das Crioulas, Kambiwá, Cabo de Santo Agostinho, Goiania, Tracunhaém e Alto do Moura, sempre respeitando e valorizando a cultura local, buscando desencadear uma gestão autônoma. A recuperação da auto-estima dos povos é um dos fatores positivos da relação do Imaginário com as comunidades.

“O Imaginário surgiu porque havia demanda por Design. Pensávamos em como unir o design ao Centro Cultural Benfica, como unir o design ao artesanato. Tínhamos um forte apelo de cultura popular, nesse momento também havia uma demanda por integração de projetos na área de artesanato com o programa Artesanato Solidário, do Sebrae, que estava solicitando muita capacitação. Através do departamento de Design, fizemos um link e começamos a prestar serviços, fazer consultorias para juntar design e artesanato”, explica a coordenadora do projeto, Professora Ana Andrade.

 

CABO02-25  equipe imaginario e artesaos do cabo

(Equipe O Imaginário)

 

Com foco na valorização do artesanato e reconhecendo a importância dessa atividade na geração de emprego e renda, o Imaginário envolve estudantes, técnicos, professores e comunidades produtoras. O Imaginário não está voltado apenas ao desenvolvimento do produto, mas também à forma de fazer, de vender, de mostrar e de se envolver com os rumos da comunidade. Conceição das Crioulas, em Salgueiro-PE, foi a primeira comunidade que o projeto visitou. “Lá, trabalhamos a identidade local e o desenvolvimento de artesanato, um exemplo da nossa intervenção são as bonecas feitas com fibra de caroá, que simbolizam bem a história da comunidade”, comenta a professora de Design e coordenadora de produção do Imaginário, Germannya D’Garcia.

Atualmente, o Imaginário está atuando em Goiana, no Cabo de Santo Agostinho e na comunidade de Quilombolas de São Lourenço. No Cabo, o projeto incentivou a criação do Centro de Artesanato Arquiteto Wilson Campos Júnior, que é patrocinado pela PETROBRAS e tem 12 artesãos cadastrados. “Nossa meta é cadastrar 88 artesãos até o final de 2015”, revela Germannya. Os artesãos do Cabo trabalham basicamente a produção de objetos utilitários e decorativos feitos em cerâmica.

Quilombolas de São Lourenço é uma comunidade marisqueira, onde as mulheres trabalham na pesca do marisco e os homens vendem o produto dessa pesca. “Nosso desafio era aproveitar esse marisco para alguma coisa, então foi feito um diagnóstico na comunidade e nós começamos a reutilização desses mariscos em adereços, em colares. Estamos fazendo uma pesquisa de desenvolvimento de novos materiais para transformar esse marisco em compósitos poliméricos particulados e também fibrosos, em parceria com o departamento de Engenharia Mecânica da UFPE”, conta Germannya.

Em Goiana, basicamente só há mulheres no grupo de artesãs. Lá, a partir de materiais como coco, cana-brava, tecido e papel, elas desenvolvem produtos como luminárias, flores, pratos e objetos decorativos. “E o mais interessante de Goiana é que eram mulheres que tinham a auto-estima baixa, sem perspectiva de ter um negócio e hoje andam com notebook na mão, viajam de avião, passam email para os clientes e participam de reuniões com o prefeito da cidade”, diz Germannya.

Além de ouvir as histórias das comunidades e ajudar a criar objetos com função simbólica, O Imaginário também apoia na parte de design gráfico, desenvolvendo embalagens, material gráfico, camisas e toda a identidade visual. Hoje, os artesãos de todas as comunidades atendidas pelo projeto participam de feiras como a Fenearte.  “Nossa ideia é atuar nas comunidades até que elas consigam desenvolver o artesanato de forma sustentável e tocar os negócios sem a necessidade da nossa presença”, afirma Germannya.

Em julho deste ano, com incentivo do Funcultura, o Imaginário criou o site Maos de Pernambuco (maosdepernambuco.com.br). O site é um portfólio virtual onde estão expostos os produtos de todos grupos de artesãos integrantes do projeto. Os contatos dos artesãos também estão no site, facilitando a interação entre o cliente e o produtor.

Orgy