A comunidade científica encontra-se em estado de alerta após o anúncio de bloqueio de R$ 16 bilhões no orçamento da União, divulgado pelo governo na semana passada. A disponibilização de recursos para o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que já começou sendo 25% menor que a de 2017, deverá sofrer uma diminuição de 10%. Esse orçamento, que busca investir em bolsas e pesquisas no âmbito da ciência, da tecnologia e da informação, encolherá de R$ 4,5 bilhões para R$ 4 bilhões. O valor total de redução é de R$ 477 milhões.

As consequências da medida, segundo entidades científicas, serão catastróficas, podendo ocasionar o fechamento de laboratórios de pesquisa e muito mais. Antes de anunciar o bloqueio, o presidente Michel Temer recebeu uma carta assinada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e outras cinco entidades falando sobre o risco. Ainda assim, o Planalto seguiu com a decisão. No documento, as entidades afirmam que, com o corte, “a possibilidade de recuperação econômica do país fica ainda mais comprometida e a qualidade de vida da população brasileira, em particular na saúde pública, será certamente prejudicada” e denunciam que “é alto o risco de laboratórios de pesquisa serem fechados, pesquisadores deixarem o País e jovens estudantes abandonarem a carreira científica”.

Em entrevista para o Estado de São Paulo, o diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica, Augusto Gadelha, afirmou que a comunidade científica está conversando “com o MCTIC para ver saídas, mas a situação é muito preocupante. Corte de 10% é intolerável”. Considerando, além do contingenciamento, a inflação, o orçamento disponibilizado hoje para a pasta de Ciência e Tecnologia no Brasil é equivalente à metade do que foi investido em 2013.

Fonte: Texto produzido com informações disponibilizadas no site do Estadão.