Não é nada fácil ser pesquisador no Brasil. O cenário da ciência, tecnologia e inovação do país tem ficado cada vez mais negligenciado pelo governo e, com a falta de incentivos e recursos para movimentar a área, os profissionais e estudantes se veem sem perspectiva. Nas universidades, a produção científica tem tentado angariar fundos para seguir ativa, além de se adaptar para alcançar o público leigo.

Um dos grandes exemplos da negligência governamental em relação à CT&I é o congelamento de investimentos na educação, além do grosseiro corte orçamentário feito diretamente na área. Os protestos de pesquisadores, especialistas e dirigentes não foram suficientes: a medida segue firme. Recentemente, um abalo certeiro foi dado. O incêndio no Museu Nacional, localizado no Rio de Janeiro e há anos sofrendo com a falta de verbas para funcionar, queimou séculos de histórias, pesquisa, dedicação, trabalho e educação.

Em matéria publicada no G1 e veiculada no canal Globo, a repórter do Profissão Repórter, Danielle Zampollo, revela que se formou em Biologia antes de seguir na carreira de jornalista. Ela conta que das 75 pessoas que fizeram a graduação, 47 desistiram da área. Somente 28 decidiram continuar. Vivian Safra é uma das colegas de Danielle, que disse não ter procurado emprego em empresas e se dedicado ao mestrado logo após o fim da graduação. “Na época, eu lembro que a bolsa para pesquisa era em torno de R$ 1.500 a R$ 2.000 e aí eu comecei a fazer cursos na área da beleza e descobri que era uma coisa eu gostava também”, conta.

Segundo Vivian, o financeiro pesou na hora de decidir qual caminho seguir. “Quantas vezes eu não trabalhei de graça na biologia? Todas as vezes que eu fiz estágio, eles não eram remunerados. É tanto esforço para você sair da faculdade e pensar que precisa buscar outra alternativa para sobreviver”, revelou. O caso dela é apenas mais um em meio a tantos profissionais da CT&I que lutam contra a maré e se veem afogando pela falta de retorno. É difícil produzir ciência no Brasil.

Julia Dombroski, doutoranda, decidiu morar nos Estados Unidos. Os motivos eram claros: no Brasil, ela não conseguiria se desenvolver como pesquisadora e cientista. “Eu saí do país porque eu tinha a certeza de que aqui seriam ofertadas as oportunidades que eu preciso para me desenvolver como cientista, tenho recursos financeiros, estrutura. Atualmente, a avaliação do cenário é para não voltar”, conta.

Constata-se que o cenário é realmente preocupante, mas com todas as dificuldades as academias e os centros de pesquisa continuam, através dos seus pesquisadores, dedicando tempo e conhecimento para que a ciência possa evoluir e que a sociedade possa usufruir dos avanços oriundos dos estudos e pesquisas, mesmo com as condições precárias e o baixo investimento. Espera-se que os órgãos de financiamento sejam sensíveis a essa problemática e avaliem a necessidade de maiores investimentos nessa área tão estratégica que é o desenvolvimento científico e tecnológico do país.