O presidente Jair Bolsonaro (PSL) nomeou nesta quarta-feira (9) o professor Alfredo Gomes como novo reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (10). Alfredo foi o candidato mais votado pela comunidade acadêmica em uma consulta geral que teve dois turnos.

Segundo a publicação no DOU, Alfredo assume o cargo no dia 13 de outubro de 2019, um dia após o encerramento do mandato do professor Anísio Brasileiro, atual reitor da federal pernambucana. O novo vice-reitor será apontado pelo próprio Alfredo após tomar posse do título.

Em entrevista ao Jornal do Commercio, Anísio Brasileiro fez um balanço das ações empreendidas durante sua gestão, que durou dois mandatos – oito anos. Confira a entrevista na íntegra, veiculada no JC Online nesta última terça-feira (8), abaixo:

Anísio Brasileiro foi reitor da UFPE por oito anos. Ele deixa o cargo neste sábado, sendo sucedido pelo professor Alfredo Gomes. Foto: Bernardo Sampaio/Ascom UFPE

JC – O que o senhor destacaria nos seus oito anos de reitorado?

ANÍSIO BRASILEIRO – O grande marco foi o fortalecimento da relevância da UFPE, do ponto de vista da qualidade. Para os docentes, lançamos edital de alocação de recursos para manutenção dos laboratórios de pesquisa. Fortalecemos a educação à distância, oportunizando a centenas de jovens o acesso à formação de qualidade. Apoiamos, através de recursos, a publicação em periódicos de língua inglesa. Estabelecemos parcerias estratégicas com empresas públicas e privadas. Investimos na internacionalização, com a criação de 13 disciplinas internacionais. Também buscamos inovar nas metodologias de ensino e aprendizagem. Outro destaque foi a curricularização da extensão.

JC – O que mais?

ANÍSIO – Valorizamos os técnicos, com investimento na qualificação deles e na presença em postos-chave da universidade. Por exemplo, das oito pró-reitorias, quatro são ocupadas por técnicos. Adotamos um sistema informatizado. Hoje os processos circulam via plataforma adquirida na UFRN. Dá mais rapidez e economia de papel. Chamo a atenção também para a criação da Pró-Reitoria de Tecnologia e Gestão da Informação.

JC – Que avaliação faz do ingresso do Hospital das Clínicas na Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, assunto polêmico antes de o senhor assumir a primeira gestão?

ANÍSIO – Foi uma corajosa decisão nossa de mudar a gestão para a Ebserh. Os resultados são extremamente positivos. Foi meu primeiro grande desafio como reitor. Hoje o HC é exemplo de qualidade e de atendimento ao público. O medo que havia da privatização não se concretizou.

JC – Na sua gestão as universidades federais passaram a ter 50% das vagas para egressos de escolas públicas. Que ações destaca na assistência estudantil?

ANÍSIO – Hoje a universidade é mais plural, respeita a diversidade, tem a cara do povo brasileiro e é essa a universidade que deve ser defendida. Criamos a Diretoria LGBT, investimos na educação indígena. Na assistência estudantil, implantamos o Restaurante Universitário em Caruaru. No Recife, construímos uma residência estudantil mista e recuperamos as casas feminina e masculina. Criamos a Pró-Reitoria para Assuntos Estudantis. Queria ter inaugurado o segundo RU no Recife, no prédio da antiga Sudene. Até refizemos a coberta. Mas pegamos o bloqueio de verbas, em maio, por isso não houve liberação dos R$ 400 mil previstos para colocá-lo em funcionamento.

JC – O que o senhor queria ter feito e não conseguiu?

ANÍSIO – Deixo o projeto executivo do Centro de Convenções, no campus Recife, pronto. O prédio está fechado desde 2013. São R$ 40 milhões para reformar o teatro. Mas vamos entregar, esta semana, o cinema e o hall, com salas para seminários. Gostaria de ter organizado as calçadas no entorno do campus. Foram quanto anos negociando com a associação de barraqueiros e a Prefeitura do Recife. Temos o projeto dos quiosques concluído. Mas a prefeitura não foi capaz de alocar recursos para os quiosques. Houve várias reuniões com Braga (João Braga, secretário municipal de Mobilidade e Controle Urbano), mas o projeto não avançou. Também não conseguimos implantar o campus da UFPE em Goiana porque o Ministério do Planejamento não liberou vagas para professores e técnicos.

JC – Qual será o maior ou os maiores desafios de quem o suceder?

ANÍSIO – Uma das minhas preocupações é a manutenção dos laboratórios de graduação e pós. Com a redução de recursos de capital e a perda de financiamento do CNPq e Finep, corre-se um grande risco de sucateamento. O próximo reitor terá o desafio de manter a qualidade num cenário que projeta menos recursos. Precisará se articular mais com a sociedade, com as empresas e o Parlamento. Lamento não ter investido nessa aproximação com a bancada pernambucana no Congresso Nacional.

JC – O senhor aposta na nomeação do professor Alfredo Gomes?

ANÍSIO – Sim, estou confiante. A escolha dele foi impecável. O Conselho Universitário o elegeu como primeiro da lista tríplice, dentro da mais absoluta legalidade, referendando o desejo da comunidade universitária.

Texto construído com informações do Jornal do Commercio.