A Fade-UFPE completa 36 anos como única fundação de apoio da UFPE

A Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Federal de Pernambuco (Fade-UFPE) está completando 36 anos no dia 10 de agosto de 2017. Única fundação de apoio da UFPE, a Fundação vem trabalhando para ser reconhecida por seus públicos como uma das melhores fundações de apoio do país, constituindo-se no principal elo de integração entre a UFPE e as instituições de fomento; uma fundação que zela pela eficiência e eficácia de seus processos e serviços, sempre atenta ao desenvolvimento constante de sua organização e da área onde atua, sendo de vital importância para o desenvolvimento e dinamismo da UFPE, primando pela transparência e pela moralidade da sua gestão.

Outro aspecto muito positivo para a Fade-UFPE foi o aumento da capacidade de atuação nessa nova conjuntura. A UFPE vem trabalhando para ampliar a integração com as unidades de pesquisa estratégica, a partir da criação de um comitê de articulação interna da Universidade. Essa iniciativa envolve a Fundação e vários setores da UFPE, favorecendo articulações internacionais e criando condições para que os pesquisadores possam desenvolver suas pesquisas com o mínimo de dificuldade possível.

Nesse contexto, a Fundação é peça fundamental para o bom funcionamento e andamento das pesquisas no Brasil que, junto às suas apoiadas, oferecem todo o suporte na gestão dos projetos de pesquisa. A Fade-UFPE vem, ao longo dos seus 36 anos, apoiando a Universidade e lutando por uma legislação menos burocrática, pois, a atuação em conjunto só é possível se tivermos segurança jurídica. Para a Secretária Executiva, “todos os entraves burocráticos que afligem os pesquisadores também afligem às fundações. Por isso, nós estamos trabalhando para que novos decretos sejam aprovados e possibilitem maior segurança e desburocratização dos procedimentos dentro da gestão dos projetos de pesquisa”, disse a professora Suzana Montenegro.

Com a intenção de ampliar a atuação da Fade-UFPE foi promovida uma atualização do Estatuto da Fundação, aprovado pelo Conselho de Curadores da Fade-UFPE, em agosto de 2016 e encaminhado para avaliação do Ministério Público. As modificações propostas no documento foram realizadas de acordo com a Lei N° 13.243 de 2016, para atender as mudanças propostas pelo Ministério Público e para incluir alguns pontos importantes que nos resguardem perante os órgãos de controle.

A professora Suzana Montenegro também destaca a atuação do CONFIES para a criação de um código de autoregulamentação para o conjunto das fundações de apoio, responsáveis pela gestão de 15 mil projetos de pesquisa, pela movimentação de mais de R$ 6,2 bilhões ao ano e por quase 80% da importação de insumos e de bens para os laboratórios universitários e institutos. “O Código tem como objetivo apresentar um conjunto de normas e procedimentos de fiscalização, criado por entidades para fazer cumprir as práticas equitativas de mercado e manter padrões éticos nas operações de seus associados. O documento está sendo analisado e discutido pela Controladoria Geral da União (CGU), pela Advocacia Geral da União (AGU) e pelos ministérios da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), com participação do CONFIES”, afirmou a Secretária Executiva da Fade-UFPE.

Ao longo dos seus 36 anos, a Fade-UFPE está trabalhando para estreitar ainda mais os laços com a UFPE para fazer a Política de Inovação da Universidade e ampliar essa parceria de sucesso, com participação e comprometimento.

UFPE encerra as comemorações pelos seus 70 anos

Em 2016 a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) completou 70 anos de existência e ao longo do ano desenvolveu uma extensa programação para marcar a data e comemorar as principais conquistas. Para encerrar as comemorações, a UFPE está realizando o encerramento das festividades no Mosteiro de São Bento, em Olinda, quando no dia 11.08.2017 fará algumas homenagens com outorga de medalhas, um concerto sinfônico com apresentação musical do Corro Universitário, Corro Opus 2, Grupo Vocal Contracantos e Orquestra Sinfônica da UFPE, sob a regência de Flávio Medeiros e Maria Ainda Barroso. Além da abertura do evento, com início previsto para as 18h30, pelo reitor da UFPE, professor Anísio Brasileiro, também terá a aposição da Placa Comemorativa dos 190 anos do Curso de Direito.

As máquinas moleculares e o momento brasileiro

Artigo de Vanderlan da Silva Bolzani, professora titular do IQAr-Unesp e vice-presidente da SBPC e da Fundunesp

Quem teve o privilégio de assistir a conferência do Prêmio Nobel de Química James Fraser Stoddart, durante o 46o Congresso Mundial da IUPAC, em julho, em São Paulo, deve ter ficado fascinado com os avanços da química e com as chamadas “máquinas moleculares”. Trata-se de construções moleculares de natureza sintética ou biológica, que executam movimentos controlados quando recebem algum tipo de energia, química, elétrica, óptica ou magnética. Componentes microscópicos programáveis e, portanto, de grande potencial para aplicações em vários setores que envolvem alta tecnologia, com destaque para a medicina. Essa conquista foi fruto de três décadas de pesquisa básica e justificou a premiação que contemplou, em 2016, além de Fraser, os cientistas Jean-Pierre Sauvage e Bernard L. Feringa.

Mas a plateia que lotou o evento teve sua atenção despertada também por um outro aspecto da conferência. Ao falar de sua história pessoal, Fraser mostrou que ela não traz nada de excepcional e não se distingue muito da de outros pesquisadores de sua geração, inclusive latino-americanos. Filho de pequeno proprietário rural da Escócia, trabalhou na infância e parte da adolescência nas duras tarefas diárias da fazenda familiar que, durante um período, não contava com eletricidade.

Fraser assinala com ênfase, no entanto, que sua formação educacional básica foi de excelente qualidade, com professores de ótimo nível que sempre o estimularam a estudar e a pensar. Ele considera esse ponto essencial em sua vida de pesquisador, que culminou com a maior premiação que um cientista pode almejar.

As credenciais de Fraser lhe conferem autoridade para ir contra a voz corrente de políticos e tecnocratas hoje empenhados em canalizar recursos dos orçamentos para a pesquisa “aplicada”, de resultados imediatos, em detrimento da pesquisa básica. Toda a sua trajetória, pautada pela preocupação em explicar fenômenos situados nos limites da química, mostra o equívoco de estabelecer uma linha divisória entre ambas, ciência básica e ciência aplicada. Da pesquisa sobre miniaturização e desenvolvimento de materiais, sensores e sistemas de armazenamento de energia, fronteira então totalmente desconhecida, brotaram tecnologias que deverão revolucionar a indústria do futuro.

Em outro ponto interessante da conferência, Fraser exorta seus colegas pesquisadores a se mobilizarem para serem ouvidos pelos governos ou, como declarou em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, durante o evento, “é hora de cientistas assumirem uma posição política”. Ele está seguro de que a pouca representatividade da comunidade científica significa uma perda para as sociedades e enorme limitação para o avanço tecnológico, imprescindível para o desenvolvimento sustentável num mundo cheio de incertezas e desafios.

O debate sobre a representatividade da comunidade científica ganha destaque em países europeus e na América do Norte, mas torna-se hoje uma preocupação angustiante para nós brasileiros. Ainda bastante tímido, nosso patamar de desenvolvimento científico no momento está ameaçado de completo colapso, nos colocando em direção contrária a de outros países empenhados em serem protagonistas no século XXI. Apesar do esforço feito nos últimos anos, a comunidade científica tem reduzida capacidade de se fazer ouvir por governantes ou de convencer a sociedade de que não há possibilidade de desenvolvimento sem investimentos em ciência e tecnologia. Neste momento crítico da vida republicana, fora do País por alguns dias, foi possível ver que o Brasil é notícia nos jornais estrangeiros e nos comentários de colegas do exterior, não pelos investimentos em ciência e tecnologia ou por uma descoberta ou inovação tecnológica sensacional, mas só pelo que nos diminui e envergonha – corrupção e descompasso econômico e social. Que a conferência do Nobel Fraser e sua entrevista ao jornal Folha de S. Paulo sirva de estímulo a toda a comunidade cientifica brasileira neste momento.

Artigo publicado no Jornal da Ciência